Adolescentes do Centro Socioeducativo de Unaí produzem máscaras contra a Covid-19

Unidade socioeducativa se junta a outras seis envolvidas no projeto; até o momento mais de 11,6 mil máscaras foram produzidas em Minas por adolescentes em conflito com a lei.

Seis adolescentes que cumprem medida de internação no Centro Socioeducativo de Unaí, no Noroeste do Estado, também estão colaborando com as ações de combate à disseminação da Covid-19. Eles começaram a costurar máscaras de tecido que serão utilizadas pelos servidores da unidade e, também, pelos jovens que lá estão internados. Segundo o diretor-geral da unidade, José Adeiro da Fonseca, não foi difícil encontrar jovens dispostos a encarar a máquina de costura para praticar o bem.

A produção está apenas no início. A costura das máscaras começou na última quarta-feira (27/5) e 200 máscaras de tecido já foram confeccionadas. Na oficina, quatro máquinas de costura estão instaladas para a realização da manufatura. Em breve, a instalação será transferida de local para ganhar mais espaço e uma nova máquina. Além disso, outro jovem será capacitado e fará parte do grupo para que a produção aumente.

A expectativa é que sejam produzidas 700 máscaras com os 170 metros de tecido recebidos da Subsecretaria de Atendimento Socioeducativo (Suase), da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). Aproximadamente 400 peças ficarão na unidade socioeducativa, para serem usadas pelos adolescentes e servidores, e as 300 restantes serão encaminhados para a Suase.

Para José Adeiro, a nova atividade está beneficiando todos os envolvidos. “Como diretor, eu vejo o ganho em vários aspectos, mas principalmente na forma como os adolescentes estão envolvidos neste propósito e querendo, de verdade, fazer parte da produção das máscaras. Até a disciplina deles na unidade melhorou, pois os adolescentes que não estão na oficina têm o desejo de participar do projeto. Os servidores também gostaram da iniciativa e estão dando o apoio necessário para que o projeto siga adiante”, disse o diretor.

É o caso da auxiliar educacional Terezinha Elisa da Silva e da agente de segurança socioeducativa Luciana Pires de Castro Gomes. Ambas possuem conhecimento em costura e estão repassando a teoria e a prática para os adolescentes. Terezinha está surpresa com o interesse e o desenvolvimento rápido dos novos alunos.

Gustavo Silva*, 19 anos, é um deles e foi um dos primeiros jovens selecionados para participar do projeto. Segundo ele, a curiosidade inicialmente foi o que o incentivou, mas depois descobriu na tarefa outras possibilidades. “Saber que estou fazendo algo que ajuda o próximo e estar sendo bem visto pelas minhas ações é muito bom. Aprendi a costurar e estou gostando bastante. O conhecimento que eu ganho com tudo isso ninguém pode tomar de mim”.

Trabalho educativo

A atividade no sistema socioeducativo tem um viés educativo. O objetivo é desenvolver as habilidades dos jovens, além de capacitá-los. A produção de máscaras começou em Minas Gerais no Centro Socioeducativo de Sete Lagoas, no final do mês de abril, inicialmente com material descartável. De lá pra cá, mais seis unidades, contando com Unaí, também iniciaram o projeto usando tecido 100% algodão.

Até o momento já foram produzidas mais de 11,6 mil máscaras, sendo 5.666 descartáveis e 5.945 laváveis de pano, por adolescentes em medida de internação nos Centros Socioeducativos de Sete Lagoas, Ribeirão das Neves, Divinópolis, Unaí, São Jerônimo, Santa Terezinha e Santa Clara – os três últimos em Belo Horizonte. Nos próximos dias, a produção se expandirá para os centros socioeducativos de Uberlândia, Uberaba, Patos de Minas e Patrocínio.

* Nome fictício para preservar a identidade do adolescente, conforme recomendação do Estatuto da Criança e do Adolescente

Texto: Fernanda de Paula

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