Operação Ceres prende 6 pessoas em Unaí

Cinco mandados de prisão temporária e um de prisão preventiva foram cumpridos, até as 11 da manhã, em Unaí, em virtude da operação Ceres, desencadeada pelo Ministério Público, pela Administração Fazendária, pela Receita Federal e pelas polícias militar e civil na madrugada deste 27 de novembro.

Em entrevista coletiva, o promotor de justiça coordenador da operação, Genei Andro Barros de Moura, detalhou parte da operação que teve como alvo aproximadamente 80 pessoas, supostamente envolvidas em fraudes na comercialização de grãos principalmente em Unaí.

Ao todo, 22 mandados de prisão cautelares e 44 mandados de busca e apreensão estavam na lista para serem cumpridos, nas cidades de Unaí, Paracatu, Guarda-Mor, Belo Horizonte e Contagem, além de Formosa (GO) e São Paulo (SP).

Apurações iniciadas pela Receita Federal e Secretaria de Fazenda, levadas depois ao conhecimento do MPMG, indicaram a existência de uma organização criminosa que incluía produtores rurais, contadores, operadores de empresas de fachada e empresários beneficiados pelo esquema criminoso que movimentou aproximadamente 1 e meio bilhão de reais.

Conforme investigado, as chamadas “empresas noterias” emitiram milhares de documentos fiscais ideologicamente falsos, com a indicação indevida do nome de terceiros, para ocultar a real identidade dos produtores rurais. Dessa forma, os verdadeiros produtores conseguiam vender a produção de grãos sem serem identificados, fato que lhes permitia ocultar da fiscalização federal e estadual todo o lucro auferido nas vendas intermediadas pelas empresas de fachada com a indústria nacional.

Em virtude dos valores sonegados ao Estado, o MPMG, por meio da Coordenadoria Regional da Ordem Econômica e Tributária no Triângulo Mineiro, solicitou o sequestro de bens de vários investigados, além da quebra dos sigilos bancário e fiscal das pessoas físicas e jurídicas envolvidas.

As pessoas presas na operação foram conduzidas para o presídio no centro de Unaí. O delegado chefe da 16º Departamento de Polícia Civil, doutor Marcos Tadeu, adiantou que aqueles cujas prisões não foram efetuadas, poderão ser presos a qualquer momento. O processo corre em segredo de justiça, por isso os nomes dos detidos não foram divulgados.

Reportagem: Rubens Martins

Foto: José Ney Lopes