Prefeitos da AMNOR priorizam interesse regional

A Amnor – Associação dos Municípios do Noroeste de Minas convocou os prefeitos para uma assembleia de urgência em que se discutiu a crise financeira nas prefeituras provocada em razão do calote dado pelo Governo de Minas, que confiscou recursos dos municípios assegurados pela Constituição Federal.

Nesta reunião, realizada na sede da Amnor em Paracatu, esteve presente o presidente da AMM – Associação Mineira de Municípios, Julvan Lacerda, que fez um relato das ações que a Associação vem realizando na tentativa de resolver o problema, mas lamentou que todos os atos praticados até o momento não levaram a uma solução imediata. Embora acredite que o problema será resolvido e que os municípios voltarão a receber os recursos que lhe são de direito, Julvan Lacerda admite que os próximos dias serão ainda mais difíceis para as prefeituras, que há vários meses vêm acumulando dívidas. “É por isso que estamos apertando o cerco e tomando medidas ainda mais enérgicas, como a que fizemos agora, pedindo ao presidente da República uma intervenção federal no Estado de Minas Gerais”, disse, explicando que o problema se agravou agora, mas vem de uma sucessão de erros passados. “Antes o estado socorria os municípios, depois foi invertendo a situação e aumentou a carga nas costas das prefeituras, agora passou a confiscar os poucos recursos que os municípios recebiam”, explicou.

O presidente da AMM garantiu aos prefeitos que a Associação está tomando todas as medidas cabíveis nos campos jurídico e político para que a situação se resolva logo. “Isso nunca aconteceu na história do Brasil, um governo se apropriar indevidamente de recursos que são dos municípios”, declarou Lacerda.

Mesmo com todas as medidas tomadas até o momento, Julvan Lacerda sugeriu que os prefeitos do Noroeste se unissem e protestassem de alguma maneira. “Não estamos pedindo nenhum favor ao governo, queremos apenas o que é nosso por direito. Que se cumpra a Constituição”, esclareceu Julvan. O prefeito de Urucuia e presidente da Amnor, Rutílio Cavalcanti, agradeceu ao presidente da AMM pelos esforços, disse estar esperançoso quanto ao pedido de intervenção, tendo em vista a forma como o ato foi conduzido em Brasília, e pregou união para se chegar a uma solução que atenda os municípios de imediato. Marden Junior defendeu o fechamento das prefeituras de toda a região por um dia como forma de simbolizar a situação e pediu que todos os prefeitos acatassem a decisão tomada pela maioria. Após várias sugestões e debates, os prefeitos decidiram que vão fechar as portas das prefeituras no dia 03 de dezembro, como forma de protesto contra o que vem ocorrendo.

Embora alguns gestores tenham demonstrado receio em fechar sua prefeitura, por entenderem que a população acaba sendo prejudicada, prevaleceu o interesse regional, com os prefeitos comprovando que a união faz a força e que somente com ações conjuntas vão conseguir pressionar o ainda governador Fernando Pimentel. “Tem que ser um por todos e todos por um. Temos que tomar uma atitude e parar geral”, sugeriu o prefeito Luizinho, de Formoso, que, entre outras coisas, declarou que seu município está em estado de calamidade financeira.

Sentindo-se um pouco mais confortável por ver a situação de outros colegas, o prefeito de Unaí, José Gomes Branquinho, disse estar muito assustado com a situação e que todos os seus sonhos foram frustrados. “Recebi a Prefeitura com 50 milhões de dívidas, paguei 42 milhões. Agora o Estado já me confiscou 28 milhões. Isto quer dizer que são 70 milhões a menos no meu orçamento em 2 anos de governo, onde vamos para desse jeito?” Questionou Branquinho, salientando que é solidário a todos os municípios e que tomaria a atitude que ali fosse decidida pela maioria. A prefeita de Dom Bosco, Iramaia Cordeiro, parabenizou a AMM pelas ações em favor dos municípios e relatou que sua situação está muito desconfortável devido ao que Governo de Minas vem fazendo. “Muitos cidadãos não querem nem saber o que está ocorrendo, o negócio deles é criticar”. Para o prefeito de Uruana de Minas, Ronaldo Verdadeiro, o governo colocou os municípios num buraco sem fundo e que a saída é a união de todos os prefeitos. “Estou ficando doente”, disse. Odilon Oliveira, prefeito de Cabeceira Grande, também expôs a difícil situação de seu município e declarou não saber se consegue pagar o 13º salário do funcionalismo. O prefeito de Arinos, Carlos Alberto, demonstrou imensa preocupação com os dias que virão pela frente e afirmou que a situação de seu município também é de calamidade.

Além disso, os prefeitos foram unânimes em afirmar que é preciso olhar ainda mais à frente e mostrar ao governador eleito o tamanho do problema que o Estado está causando aos municípios, bem como exigir que os repasses voltem a normalidade assim que o mesmo tomar posse.

Reportagem: Rubens Martins
Fotos: José Ney Lopes